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O QUE É HIPNOSE
A hipnose é uma técnica de indução do transe (que é um estado de
relaxamento semi-consciente) com manutenção do contato sensorial do paciente
com o ambiente.
O transe é induzido de modo gradual e por etapas,
através da fadiga sensorial, que geralmente é provocada pela voz calma,
monótona, rítmica e persistente do hipnotizador, e muitas vezes aliada a
recursos óticos (pêndulos, luzes etc) que visam cansar os órgãos da visão do
paciente. Quando o transe se instala, a sugestibilidade do paciente é
aumentada. A hipnose leva então à várias alterações da percepção sensorial,
das funções intelectuais superiores, exacerbação da memória (hiperamnésia),
da atenção e das funções motoras. Estabelece-se um estado de alteração de
estado da consciência, um tipo de estado que simula o sono, mas não o é
(lembramos que a pessoa não “dorme” na hipnose): o eletroencefalograma (EEG)
do paciente sob hipnose é de vigília, e não de sono.
Não se sabe
ainda concretamente como a hipnose altera as funções cerebrais da pessoa.
Uma das teorias mais aceitas é que ela afetaria os mecanismos da atenção, em
uma parte do cérebro chamada substância reticular ascendente (SRA),
localizada na sua parte mais basal (tronco cerebral). Essa área, que também
tem muitas funções relacionadas ao sono, ao estado de alerta e à percepção
sensorial, “bombardeia” o cérebro continuamente com estímulos provenientes
dos órgãos dos sentidos, provocando excitação geral. A inibição da SRA leva
aos estados de sonolência e “desligamento” sensorial. Pode-se afirmar também
que a sensibilidade à hipnose é mais ou menos geral; 90% das pessoas são
hipnotizáveis.
Quem é
hipnotizável?
Para responder a esta
pergunta, Ochorowicz inventou (ainda no século XIX) um instrumento especial
- o hipnoscópio - que nada mais é do que um ímã(*), em forma de anel, que a
pessoa a ser examinada põe no dedo. Para o inventor, as pessoas
hipnotizáveis experimentam certas sensações na pele e contrações nos
músculos, enquanto nada acontece se a pessoa não é hipnotizável. Pesquisas
de outros investigadores, entretanto, não confirmaram completamente a teoria
de Ochorowicz.
Comprovou-se também que os neurastênicos, os hitéricos
e os debilitados não são muito dispostos à hipnose. A histeria,
particularmente, não se adapta ao hipnotismo; a histeria comum, com suas
variáveis manifestações de dor de cabeça e a sensação de uma bola na
garganta, combinadas com o desejo de ser interessante e de exagerar os
sofrimentos suportados, dá muito pouca disposição à hipnose. O espírito de
contradição, muito desenvolvido nas pessoas histéricas, contribui para isso.
A noção errônea de que os pacientes histéricos, ou neurastênicos, são
particularmente susceptíveis ao fenômeno, resulta do fato de que a maioria
dos médicos têm feito somente experiências com eles, ainda seguindo as
idéias de Mesmer sobre o magnetismo animal. A realidade, entretanto, aponta
para outro lado.
Outro fato que merece registro é a notável
susceptibilidade dos pacientes tuberculosos. No que se refere a
inteligência, as pessoas inteligentes são mais facilmente hipnotizáveis do
que as obtusas e estúpidas.
A excitação mental dificulta a hipnose.
Observações feitas por Wetterstrand e Ringer, particularmente, comprovaram
que certos indivíduos são ocasionalmente refratários à hipnose e que isso
pode estar relacionado à excitação mental. Por outro lado, considera-se um
engano completo dizer que a disposição para a hipnose seja um sinal de
fraqueza de vontade. Sem dúvida, a capacidade de manter um estado passivo
tem efeito satisfatório, e isso, ao contrário, é mais um indício de força do
que de fraqueza de vontade. Esta capacidade de dar aos pensamentos uma
direção definida é, em parte, uma questão de hábito e, muitas vezes, uma
questão de vontade. Ao contrárioo, aqueles que não têm possibilidade de
fixar sua atenção, são dispersivos, que sofrem de contínua distração de
espírito, dificilmente podem ser hipnotizados.
A disposição à
hipnose também não é muito comum entre as pessoas facilmente
impressionáveis, diferentemente do que se poderia supor. Sabe-se bem que
algumas pessoas influenciáveis sob muitos aspectos, principalmente por
coisas insignificantes, oferecem muita resistência ao
hipnotismo.
Quanto à idade, crianças menores de três anos não podem
absolutamente serem hipnotizadas, e mesmo até as de sete ou oito anos, só o
são com muita dificuldade. Já a idade avançada não é, de modo algum,
refratária à hipnose. Segundo Liebault, após a hipnose, as pessoas mais
idosas muitas vezes se lembram mais de tudo o que aconteceu do que as mais
jovens.
(*) Muitos autores, ao longo dos séculos, referiram-se
aos poderes extraordinários dos ímãs. Os Magos do Oriente usavam-no para
curar moléstias e os chineses e hindus usaram-no com o mesmo propósito.
Alberto Magno, no século XIII, Paracelso, Don Helmart e Kercher também o
empregaram, assim como o astrônomo e jesuíta Hell, em Viena, no fim do
século XVIII. Também o conceituado médico britânico Dr. Reil empregou o ímã
terapeuticamente. Riechenbach, em 1845, afirmou que algumas pessoas
sensíveis tinham reações peculiares quando em contato com um ímã, relatando
inclusive, que muitas diziam ver uma luz diferente, batizada por ele por
“Estranha Luz”.
Nota: É sabido que o fenômeno da hipnose existia já
há muitos milênios. Nas muralhas dos templos dedicados à deusa egípcia Ísis,
vêem-se pessoas concentradas em oração, que estão, indisfarçavelmente, em
estado de transe. Na velha Mesopotâmia, os sacerdotes hipnotizavam as
donzelas, para investigarem coisas do futuro. As sacerdotisas do Oráculo de
Delfos vaticinavam em hipnose, a que eram induzidas pela inalação de
vapores. O sono no templo, na Grécia de Asclepíades, não era outra coisa
senão hipnose, só que de uma forma diferente. Os médicos hindus também
trabalhavam com hipnose, aliás, foi exatamente na Índia que se
desenvolveram, antecipadamente, técnicas de concentração através do estado
hipnótico.
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